
Agenda em Florianópolis evidencia intercâmbio entre Brasil e Austrália em modelo inovador que integra surf, biodiversidade e desenvolvimento sustentável
A embaixadora da Austrália no Brasil, Sophie Davis, realizou nesta segunda-feira (13) uma visita oficial à Reserva Nacional de Surf Moçambique, em Florianópolis, em agenda voltada ao fortalecimento da cooperação bilateral para a conservação de ecossistemas costeiros. A programação destacou o avanço da adaptação, no Brasil, do modelo australiano de preservação de territórios de surf, referência internacional na integração entre natureza, cultura e uso sustentável.
A visita teve início com uma reunião estratégica com a equipe do Instituto APRENDER Ecologia, responsável pela coordenação do Programa Brasileiro de Reservas de Surf. Na sequência, a comitiva foi recebida na sede do Parque Estadual do Rio Vermelho pelo gestor Marcelo Duarte. Representantes da Associação de Surf do Moçambique, do Instituto Save Planet e do Instituto APRENDER apresentaram a estrutura e os limites da reserva, destacando a abordagem ecossistêmica adotada na gestão do território.
Segundo as organizações, a poligonal da Reserva Nacional de Surf Moçambique ultrapassa os limites formais da unidade de conservação, incorporando áreas estratégicas para a manutenção da dinâmica costeira. A atuação conjunta prevê colaboração direta na implementação do parque e reforça a necessidade de uma gestão integrada do entorno, com foco na conservação e no uso responsável.
Acompanhada por Ester Coelho, Oficial de Políticas, e Peter Nolan, Conselheiro de Educação e Pesquisa da Austrália no Brasil, a embaixadora seguiu para a Praia do Moçambique, onde conheceu iniciativas que conectam esporte e regeneração ambiental. Entre elas, o projeto Cultura Surf e Floresta Viva, apoiado pelo Instituto APRENDER Ecologia, pela Conservação Internacional (CI-Brasil) e pelo selo Proteja Sua Praya. A comitiva também visitou áreas em processo de restauração conduzidas pelo Instituto Save Planet, com foco na recuperação da vegetação nativa de dunas e restingas, fundamentais para a proteção costeira e a qualidade das ondas.
A aproximação entre o Instituto APRENDER Ecologia e a Embaixada da Austrália vem sendo construída desde 2024, quando o programa brasileiro foi apresentado em Brasília pela coordenadora executiva Fernanda Muller. A conexão entre os países é fortalecida pela atuação de Mauro Figueiredo, que também integra a liderança global da National Surfing Reserves (NSR), iniciativa pioneira na Austrália. Sua atuação tem sido estratégica na adaptação do modelo ao contexto brasileiro e na articulação de intercâmbios técnicos entre as nações.
Em 2026, a parceria avançou com a aprovação do projeto “Rota Tradicional de Itamambuca”, por meio do Programa de Ajuda Direta (DAP), financiado pela Embaixada da Austrália. A iniciativa será executada pelo Instituto APRENDER Ecologia em parceria com o Instituto de Cultura Oceânica (ICOA), organização responsável pela coordenação da Reserva Nacional de Surf de Itamambuca, em Ubatuba (SP).
“O encontro em Florianópolis serviu para aproximar ainda mais as iniciativas da Austrália e do Brasil, unindo esporte, ciência e conservação para garantir o futuro das ondas e das comunidades litorâneas”, afirma Mauro Figueiredo. Já para a embaixadora, o Brasil e a Austrália têm muitas características em comum, e o amor pelo surf e a natureza são algumas delas. “Agradecemos ao Instituto Aprender Ecologia pelo convite para conhecer de perto o incrível trabalho de conservação desenvolvido pelo Programa Nacional de Reservas de Surf junto ao Parque Estadual e como ele tem impactado a comunidade e economia local. Estamos muito felizes de poder contribuir com as prioridades do PBRS por meio do financiamento ao Instituto Aprender Ecologia ao longo de 2026“, diz Sophie Davies, Embaixadora da Austrália.
O Programa Brasileiro de Reservas de Surf (PBRS), é idealizado e coordenado pelo Instituto APRENDER Ecologia. A Conservação Internacional (CI-Brasil) é parceira estratégica por meio do projeto Ondas da Conservação. O PBRS também conta com o apoio nacional do selo Proteja sua Praya, da Cerveja Praya. O objetivo é fortalecer as comunidades locais das Reservas Nacionais de Surf na gestão, conservação e restauração de ecossistemas costeiros, a partir do esporte, cultura e economia local.




